Sustinhos Especial de Aniversário: «As Cuecas Assustadoras»
Receberam cuecas pelo Natal? Verifiquem se elas não estão assombradas!
Quando as luzes se apagam, esperamos encontrar monstros famintos, fantasmas medonhos, baratas a trepar pela cama ou carneirinhos a saltar por cima de vedações… Ver a nossa roupa interior «ganhar vida» é algo insólito.
Recomendado para 3+
Em As Cuecas Assustadoras, Aaron Reynolds aproveitou-se dos medos irracionais que todos temos (ou já tivemos em tenra idade) para criar uma verdadeira paródia de terror. Caso não tenham ultrapassado devidamente esses medos, é provável que estes voltem a surgir com a leitura deste livro. Mas não se preocupem. Ao acompanharmos o coelho Jasper na sua aventura, vamos, através dele, encontrar uma forma de lidar com o que tememos. Este é um dos grandes pilares do terror infantil.
No centro da ação, está um item de vestuário comum, um par de cuecas verdes, e nele encontra-se desenhado o rosto do monstro de Frankenstein. Na minha opinião, esta é uma pista mais do que reveladora, mas o coelho Jasper ficou tão empolgado quando viu as cuecas à venda na loja que ignorou os sinais.
Jasper queria as cuecas a todo o custo. No fim de contas, ele já era um coelho crescido. E os coelhos crescidos não só não têm medo do escuro, como podem usar roupa interior diferente, não é? Até mesmo vestir essa peça de roupa para dormir. Quem é que aqui não está farto de estar sempre a vestir cuecas brancas?
A mãe coelha bem avisou o filho de que aquelas cuecas não eram apropriadas para ele, mas Jasper insistiu tanto que ela acabou por lhe fazer a vontade. E, a partir desse dia, a coragem do coelhinho é posta à prova.
A tensão da narrativa é construída de forma leve através de diálogos engraçados e de ilustrações sombrias nas quais se destaca o verde misterioso das cuecas num ambiente de cinzentos e brancos. Estejam atentos às várias expressões faciais que as cuecas apresentam ao longo do livro. São pormenores imperdíveis como este que enriquecem a leitura.
Embora, por vezes, hesitemos a virar a página — porque as cuecas aparecem onde menos esperamos —, as ilustrações de Peter Brown desempenham o papel fundamental de aligeirar o medo, convertendo-o em curiosidade. Ao fim de poucas páginas, já tentamos adivinhar onde as cuecas podem aparecer e como é que Jasper as vai encontrar.
É uma leitura perfeita para quem gosta de histórias fora do comum, com a atmosfera de R. L. Stine e de Paul Jennings. Ou uma leitura obrigatória para quem ainda acredita que a sua roupa interior é inofensiva.
A moralidade passa por sermos corajosos e enfrentarmos os nossos medos. Se sairmos da nossa zona de conforto, acabamos por crescer e perceber que nem tudo é tão aterrador quanto parece.
As Cuecas Assustadoras, da autoria de Aaron Reynolds e ilustrado por Peter Brown, é o segundo volume de uma coleção de três livros, mas as histórias podem ser lidas em separado. Em Portugal, é publicado pela Bertrand e traduzido por Ana Alberto.
Preparem-se para rir e, quem sabe, olharem para a vossa roupa interior com outros olhos.
Quem diria que um par de cuecas podia ser uma personagem memorável?
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Marta Nazaré
Marta Nazaré, nascida em Lisboa, a 5 de março de 1981, é formada em Letras e Tradução de Inglês. Dedica-se a tempo inteiro à tradução de livros infantojuvenis e à legendagem de filmes e séries.
Descobriu o terror em tenra idade na papelaria do bairro que vendia a coleção «Arrepios», de R. L. Stine. Ainda hoje, o terror infantojuvenil é o seu género preferido.









