Medo

de Rui Bastos

 

Tenho medo… Tenho medo que descubram o que fiz… Tenho medo que passem a olhar para mim como diferente… Tenho medo que me julguem… Que me critiquem… Que me olhem com nojo… Tenho medo de ser rejeitada… De me tornar invisível… De ser apenas alguém que está em casa… Em vez de alguém que vive cá em casa… Tenho medo que não me tratem da mesma forma… Tenho medo que venham ao meu quarto… Tenho medo que abram a porta e descubram… A verdade… Tenho medo de ser posta de parte… De ser esquecida… Tenho medo que tenham medo de mim… Tenho medo… Tenho medo que percebam que já não estou cá… Tenho medo  que descubram o meu corpo…

 

*Este texto foi redigido segundo o Acordo Ortográfico de 1945


SOBRE O AUTOR

Rui Bastos

Preguiçoso e rabugento, tem Stephen King e Jorge Luís Borges em muito boa estima. Gosta de estar sentado, mas prefere estar refastelado. Lê de quase tudo e escreve de quase tudo, mas acaba sempre no mesmo tema: esquisito. Tencionava ser a primeira pessoa a ganhar todos os Nóbeis, mas entretanto foi pai, portanto um é suficiente. Como já escreveu contos suficientes para encher um livro, só lhe falta plantar uma árvore, mas não gosta de se sujar. Tem formação numa engenharia qualquer e trabalha noutra coisa que não interessa a ninguém. Gosta de bolos e cereais. Nunca terá juízo nenhum.


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