Restos

de Maria Leonilda Pereira

 

Vou, por obrigação, à tua morada.

Ali,
impera o silêncio.
Flores murchas no compasso dos dias.

O adeus — brilhante —
de uma vida de semeador de coisa nenhuma.

Lá porque os meus óvulos se cruzaram com o teu sémen,
não mereces a minha vinda.

Ossadas numa caixa de plástico.
Abandono-as.

Liberta
do que esperei —
e do não foste:

marido.


SOBRE A AUTORA

Maria Leonilda Pereira

Licenciada em Filologia Românica, foi professora de Português do Ensino Secundário. Promoveu a escrita e a leitura, na escola e fora dela, através de oficinas de escrita criativa e leituras encenadas.

Colaborou na antologia anual Olhares da Lua. Publicou Da Minha Janela e A Gargalhada do Medo.

As palavras adoçam-lhe os dias.

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