Colheita Branca

de Bárbara R. Rafael

 

Nasciam renovados a cada virar da Lua e espalhavam-se no jardim como míscaros. A luz da manhã refletida na brancura feria os olhos.

Sabendo o que a esperava, armou-se do seu cesto de vime e da velha enxada. Era dia de colheita.

Os ossos brotavam entre as petúnias, limpos, enfileirados como se alguém os tivesse enterrado com esmero. Ela não se lembrava, claro. Estranhava, pois por vezes acordava com terra debaixo das unhas, com a roupa manchada de uma mistela negra e um zumbido constante na cabeça. O chão da casa espezinhado deixava antever mais uma aventura debaixo do céu noturno. Acontecia quando se esquecia da medicação para dormir.

Não era culpa sua.  Noite após noite, a lua cheia encontrava-a a vaguear sem destino, mas com intenção. De enxada na mão e olhos cerrados, a murmurar nomes que não sabia que conhecia.

E o jardim… o jardim crescia.


SOBRE A AUTORA

Bárbara R. Rafael

Nasceu em 1994, na margem sul do Tejo. Apaixonada por estórias desde pequena, foi pela mãe, professora, que desde cedo foi cativada para a escrita.

Incentivada a participar nos concursos literários da escola, foi ganhando o gosto pelas letras e fez-se sempre acompanhar pelos livros nas diversas fases da vida.

Seguiu turismo na licenciatura e exerceu na área durante alguns anos, até que a pandemia a fez mudar de rumo e abraçar o mundo das empresas tech.

Hoje em dia, encontra-se em processo de escrita para aquele que espera ser o seu primeiro livro, publicado no género do fantástico.


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