O Telefone
de Telma Cebola
Todos os dias, às 16 horas em ponto, ela sentava-se junto ao telefone.
Todos os dias, durante uma hora, ficava à espera.
Todos os dias, à mesma hora e durante esse tempo, o telefone não tocava.
E os dias tornaram-se meses. E os meses tornaram-se anos.
Às 16 horas em ponto, e durante uma hora, ela sentava-se junto ao telefone.
E o telefone não tocava.
Alguns anos mais tarde, também por volta das 16 horas, foi encontrada morta. Na mesma posição, à espera.
O telefone nunca tocou.
SOBRE A AUTORA
Telma Cebola
Telma Cebola nasceu em Cascais no ano de 1985. O terror esteve sempre presente na sua vida, especialmente na vertente literária (tem toda a coleção Arrepios) e cinematográfica (passou a adolescência a ver filmes de terror de qualidade duvidosa). Escreve para libertar os seus demónios e vê na escrita uma espécie de terapia, em que a mente a obriga a passar para o papel os pensamentos menos sãos que tem. Talvez um dia esses pensamentos se transformem num livro.







