Recomendações de leituras para fevereiro
Livros curtos para ler durante o mês mais curto do ano.
Novidades acabadinhas de sair, autores portugueses e traduções.
Para fevereiro, trago três sugestões muito diferentes entre si, mas com uma coisa em comum: livros curtos que nos deixam a querer ler mais dos seus autores.
A primeira é uma novidade de final de janeiro e é, nada mais nada menos, do que o livro Fendas na Escuridão, que compila 18 microcontos de vários autores que participaram no 1.º Concurso de Microcontos da Fábrica do Terror. São histórias de uma página para se irem lendo, até naqueles dias em que parece que não temos tempo para nada e, acreditem, sabe bem tirar cinco minutos para começar e acabar uma história, ainda por cima com a qualidade que já podemos esperar dos autores da Fábrica. Temos bruxas, sangue, crianças, doenças e (sim, leem bem) bolas de Berlim.

A minha segunda recomendação é A Confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro. É um livro publicado em 1914 onde, tal como o título indica, o narrador, Lúcio, confessa a inocência e a história por detrás de um crime ao qual foi condenado (história essa que o narrador refere contar como aconteceu, por mais inverosímil que pareça). Assim, seguimo-lo, e às suas relações, tudo mudando quando Lúcio conhece Ricardo de Loureiro. É um livro sobre obsessões numa sociedade intolerante, sobre amores proibidos, perversidades, morte e sobre não se conseguir sentir que se pertence a lado nenhum. Se quiserem, podem olhar para o final da história como um momento de fantasia. Eu vi-o mais como O Retrato de Dorian Gray. É um livro alucinante, muito à frente do seu tempo.
A minha última recomendação é Distância de Segurança, de Samanta Schweblin. Aqui, seguimos uma conversa entre Amanda, que está no hospital, e um menino chamado David. Amanda conta a história de como passava o tempo a tentar manter uma distância de segurança com a filha, Nina, por pensar sempre que o pior lhe poderia acontecer. Aliado a isto, vêm os problemas relacionados com os pesticidas, que nos são apresentados de uma forma única dentro desta conversa e também nas diferentes interações entre outras personagens. É uma história de terror psicológico, com várias interpretações possíveis, que nos deixa na ponta dos pés do início até muito depois de o acabarmos de ler.
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Madalena Feliciano Santos
Madalena Feliciano Santos nasceu em 2001, em Lisboa. A partir do momento em que leu The Shining, nunca mais largou o terror, estreando-se como autora na antologia Sangue Novo, em 2021, com o conto «Sonhei com uma Linha Vermelha». Frequenta o Mestrado em Tradução da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a trabalhar, sobretudo, sobre a tradução de literatura de terror.






