Widow’s Bay

Uma série Apple TV+ criada por Katie Dippold

Mais vale tarde do que nunca.

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Maria Varanda

A série estreou já em abril de 2026, e eu estou em falta para com os fiéis seguidores da Sessão da Noite. Temos andado ausentes, mas nada temam: a spooky season está a chegar e, com ela, a vossa infiel redatora volta a estar ao ataque. Ataque esse que começa, inevitavelmente, com uma série que ainda está a dar que falar.
Quando Widow’s Bay foi inicialmente anunciada, não conseguiu cativar a minha atenção. As coisas deram uma volta quando comecei a ouvir amigas minhas que «odeiam» terror (por esse motivo apenas nem deveria chamá-las amigas) a recomendar Widow’s Bay umas às outras, a seguinte mais cagona do que a anterior. Digo-vos que míseros jump scares bastam para deixar algumas destas pessoas a acender as luzes todas as noites. Mais interessada fiquei ainda quando, ao questioná-las, as senhoras me responderam «ah, Widow’s Bay não é terror, não conta». Ah amigas, mas isso é que conta.


Depois de uma longa discussão a explicar por que razão a comédia negra é um subgénero do terror, decidi render-me às massas.


E tenho a dizer que, desta vez, as massas tinham razão: Widow’s Bay é uma série e pêras.
A premissa faz lembrar um pouco o Midnight Mass, ao situar a trama numa aldeia piscatória de pouco valor, mas rapidamente se afasta desses ideais, adotando um tom de comédia desde muito cedo. O elenco suporta toda a história desde os pontos mais sérios aos mais levianos, mas é especialmente bom a suportar a comédia com a naturalidade de quem bebe uma chávena de café antes de começar o seu trabalho das nove às cinco.
Há personagens para todos os gostos, e, enquanto uma certa editora-chefe se identifica como uma Patricia, uma certa colunista tem a certeza de que seria o Wyck de qualquer pacata ilha. Não que eu queira viver numa ilha como Widow’s Bay. Na realidade, dispenso bastante.
Não é a série perfeita, todos sabem quem ocupa os lugares do pódio do meu pequeno e negro coração, mas Widow’s Bay é uma série de dez episódios bem estruturados, excelentemente retratados, e muito, mas muito bem passados.
Não podemos deixar de referir que Widow’s Bay tem alguns defeitos, ainda que pequenos, sendo o mais inegável deles a pouca importância que dão a uma certa personagem que, nos episódios finais, se revela crucial — vocês saberão a quem me refiro quando chegarem ao 10.º episódio.
Não obstante, são inegáveis os pontos fortes: um conjunto de desgraças muito bem interligadas entre si pelo ponto de origem, muitos monstros diferentes com várias lendas e mitos à mistura, e muito, muito sarcasmo, sátira e ironia. É também esta a série que prova que o terror é possível mesmo com personagens sensatas.


O seu sucesso ditou, sem surpresas, a elaboração de uma segunda temporada. Esperemos que o encanto de Widow’s Bay não se perca com a fama.


Até lá, teremos muitas Sessões da Noite para percorrer.

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Maria Varanda

Diz-se que nasceu em Portugal em 1994, pelo menos nesta reencarnação. Quando a terceira visão está alinhada, brotam ideias na sua mente que a inquietam e tem de as transcrever para o papel para sossegar o espírito. Chamam-lhe imaginação, mas se calhar as ideias vêm de outro lado, e Maria serve apenas de meio de transmissão. Procura-se quem queira ouvir a mensagem.

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