Invisível
de Miguel Santos Teixeira
Chegara o dia.
Aguardava-o um daqueles raros momentos em que o seu ego de escritor seria massajado. Juntara o seu talento a outros quarenta, resultando, dessa união, o miolo da mais recente colectânea de contos da Páginas Tantas.
Chegou escassos minutos antes da hora marcada. A sala já se encontrava composta, pelo que ocupou um lugar vago na fila de trás. Reconheceu alguns rostos, embora a maioria conhecesse apenas de nome.
A obra foi apresentada pelo editor-chefe, a que se seguiram os agradecimentos da praxe e a leitura de trechos de alguns dos contos pelos próprios autores. Para tal, não se voluntariou, pouco dado que era a exposições que incluíssem falar em público.
Seguiu-se um momento de confraternização. Trocas de ideias e de autógrafos. Ele, no entanto, permaneceu estático, na cadeira que ocupara deste o início da apresentação.
Ninguém com ele trocou um autógrafo, uma palavra, um olhar. Era «Invisível», como o título do seu conto.
Ao seu lado, então, ouviu um comentário de uma das autoras.
— Que pena o Miguel. Ele havia de adorar estar aqui hoje, com o conto dele publicado. Que tragédia tão triste.
*Este texto foi redigido segundo o Acordo Ortográfico de 1945
SOBRE O AUTOR
Miguel Santos Teixeira
Data de 24 de fevereiro de 1966 a sua primeira aparição neste planeta. O mesmo que haveria de assistir ao seu crescimento no campo das Letras, numa primeira fase na área da Comunicação, enquanto redactor publicitário, vulgo copywriter, e, desde que se lembra, como romancista, prosador, poeta, u name it. Muitos concursos, alguns contos selecionados pelo caminho, alguns livros editados e uma vontade sempre crescente em deitar cá para fora o que não cessa de lhe surgir na cabeça. Diz que é criatividade. Que seja, desde que alguém goste.







