Sustinhos — «Maria Morte», de Tânia Bailão Lopes

A Morte, afinal, também precisa de amigos.

Nos baloiços do parque, está uma menina da qual todos têm medo. Afastam-se dela. Dizem que ela é má. Acusam-na de dar pouca sorte. E a pequena Maria Morte passa os dias sozinha e triste. Quando Violeta aparece e decide mostrar que a morte faz parte da vida, tudo muda na menina que não tinha ninguém.

Avatar photo
Marta Nazaré

Recomendado para 6+

Quem tem medo da Morte?
Este é um assunto que nos inquieta a todos, um tema que a maior parte dos escritores infantis prefere evitar. Continua a ser um desafio explicar a morte às crianças sem correr o risco de as perturbar.


Tânia Bailão Lopes ousou escrever sobre a morte de uma forma ternurenta e sensível, sem resvalar para o sombrio. Publicada pela Briza Editora e incluída no Plano Nacional de Leitura, a obra Maria Morte insere-se numa linha contemporânea de literatura infantil empenhada em tratar temas difíceis com clareza emocional.


A história começa com Maria Morte, uma menina temida por quem a rodeia, sozinha no baloiço do parque. O choro e a solidão não duram muito e, cinco páginas à frente, a criança incompreendida conhece Violeta Vida, alguém que olha para ela com «olhos de ver» e se torna a sua melhor amiga.
A partir daqui, a luz integra-se na sombra, e percebemos que a relação entre as duas meninas funciona como uma metáfora: a morte e a vida não se anulam, complementam-se. Através deste paralelismo, cumpre-se o propósito pedagógico de ajudar o leitor a compreender que a morte faz parte da vida. «Sem ela não há viver.» Sem Maria Morte, não há Violeta Vida.
As ilustrações, com cores suaves e reconfortantes, elaboradas pela autora, complementam uma narrativa focada na empatia e contribuem para a humanização de uma personagem que todos receiam, moldando-a de modo a ser compreendida e acarinhada pelo leitor.
A personificação da morte como uma criança torna algo abstrato em concreto, atribuindo um rosto a um medo que pode, desta forma, ser discutido com maior facilidade. Abrem-se as portas para um espaço seguro, uma leitura que, além de simplificar o que é complexo, convida também ao diálogo intergeracional, à reflexão e à desmistificação de um dos grandes tabus da infância (e até da vida).


Maria Morte é uma obra de uma beleza ímpar que, nas últimas páginas, responde a algumas das nossas inquietações e nos faz ficar a pensar nelas muito depois de termos pousado o livro.


É uma leitura que deve ser acompanhada de um mediador adulto que possa contextualizar metáforas, tirar dúvidas e explicar aos mais novos que cada um vive o tempo que tem de viver.
Estamos todos de passagem neste planeta, por isso, é importante aproveitar enquanto ainda aqui estamos.
Viver com menos seriedade e mais leveza.
Aproveitar os pequenos prazeres.
Fazer novas amizades e acolher as diferenças.
Sorrir mais vezes.
Abraçar quem gostamos.
Guardar boas memórias e partir com elas no coração.

GOSTASTE? PARTILHA!


Avatar photo
Marta Nazaré

Marta Nazaré, nascida em Lisboa, a 5 de março de 1981, é formada em Letras e Tradução de Inglês. Dedica-se a tempo inteiro à tradução de livros infantojuvenis e à legendagem de filmes e séries.
Descobriu o terror em tenra idade na papelaria do bairro que vendia a coleção «Arrepios», de R. L. Stine. Ainda hoje, o terror infantojuvenil é o seu género preferido.

Outros artigos do autor

Privacy Preference Center