«Silent Hill 2 Remake» (2024)
O videojogo de terror que está no top 5 de qualquer jogador
Este é o remake do original de 2001, desenvolvido pela Bloober Team e publicado pela Konami Digital Entertainment, mantendo o ambiente dark, a névoa nas ruas, a sensação de que nos encontramos em pausa do mundo, como se não conseguíssemos avançar ou recuar.
É James Sunderland quem navega por este mundo estranho, mas que, ao mesmo tempo, ignora todas as suas particularidades. Não vou mentir. Pensei, honestamente, que jogar Silent Hill 2 sem jogar o primeiro jogo me fez perder demasiadas informações. Afinal, porque raio é que o homem nem se assusta com os monstros? Ou diz «que raio»? Tive de jogar duas vezes para entender o grau de apatia em que James se encontrava. Está tão perdido na sua própria mente, invadido por culpa e com uma vontade de encontrar qualquer pedaço da sua falecida esposa, Mary, que tudo à sua volta se torna insignificante.
Silent Hill é a cidade de que Mary, a falecida esposa, fala numa carta que James lê após a morte dela. Uma cidade de que James deveria lembrar-se. Uma cidade onde, supostamente, haveria lembranças de que marido e mulher lá estiveram.
Atormentado pelo que não recorda, vai para a cidade em busca de algo. Do quê? Também não sabe. Mas avança e, pouco a pouco, vai recuperando as peças da memória perdida.
No meio de monstros, cada um tão diferente do outro, James terá de resolver diversos puzzles que o ajudarão não só a recuperar as memórias, mas também a esposa. Ou pelo menos assim ele espera.
As ruas fantasmagóricas quase me fazem pensar que se trata da sua própria mente enevoada, em que só à medida que vamos avançando é que vamos conseguindo ver o que está à nossa frente, apesar de tudo o resto se encontrar oculto.
É um jogo que toca o sentimento de culpa, o luto, e que está, claramente, repleto de demónios pessoais, representados por todo o jogo.
Afinal, os monstros que vamos encontrando são representações diretas do que James está a sentir. Desde agonia, punição e a própria doença com que a mulher, Mary, faleceu. (Juro que estou a tentar não fazer spoiler!)
Silent Hill 2 (2024) ganhou diversos prémios, desde o Game of the Year, Best Survival Horror, Best Performance, Best Soundtrack (The Horror Games Award 2024), Best Horror Game Award (IGN Awards 2024) e até Best Audio Design (Game of the Year – Playstation Blog 2024), além de inúmeras nomeações para outros prémios.
O que sobra? A nossa própria experiência.
E existe um detalhe que eleva o jogo a outro nível e que irá diferenciar um jogador do outro: a jogabilidade. Não em termos do próprio jogo, mas em termos de como cada jogador aborda o jogo, pois a forma como o fazemos irá ditar o próprio final. Atenção que digo «forma» e não tomada de decisões conscientes. É a forma de lidar com o próprio jogo que modifica o final da história. E é por este motivo que deverão jogá-lo pelo menos duas vezes.
Mais uma vez, não vou mentir. No início, estava a odiar jogar. Afinal, que apatia é esta desde o início? Mas o homem não tem sentimentos? Por isso, ignorei os monstros e «corri» pelo mapa, tanto que o final foi muito diferente da segunda vez.
Claro que é ao jogarem a segunda vez que irão notar a dimensão do mundo, da dor e da culpa de James, mas podem, e devem, tirar as vossas próprias conclusões.
O videojogo encontra-se disponível para PC, Playstation e Xbox.
Se forem como eu, e adorarem ouvir a banda sonora de Akira Yamaoka, podem ouvi-la gratuitamente no Youtube ou no Spotify.
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Martina Mendes
Habituada ao terror desde nova, Martina via filmes assustadores para adormecer. Até hoje, não consegue terminá-los. É por isso que escreve sobre terror e que, mais recentemente, joga dentro do género. Com os jogos, definitivamente, não adormece!




