Sustinhos – «Cartas a um Monstro», de Patricia Forde

Uma história epistolar onde o medo se enfrenta por meio da escrita.

Numa noite escura e tempestuosa, Sofia estava deitada no seu quarto. Por mais que tentasse, não conseguia dormir: tinha a certeza de que um monstro vivia debaixo da sua cama. Ouvia-lhe a respiração e tudo! Era impossível continuar assim. Ou fazia alguma coisa, ou nunca mais pregaria olho.

Recomendado para 4+


Avatar photo
Marta Nazaré

A autora Patricia Forde apresenta-nos Sofia, uma criança desembaraçada e sensata, que, depois de muito pensar na melhor forma de resolver o seu dilema, decide enfrentar o medo de uma vez por todas… com as devidas precauções, claro. Não podia simplesmente espreitar por cima da cama e exigir ao monstro que saísse. E se ele não fosse amigável? Sofia, prudente como era, opta por jogar pelo seguro.


A solução mais viável era escrever-lhe uma carta.


E, num tom de ultimato, avisou: ou o monstro se ia embora de vez, ou ela chamava a Polícia de Monstros.
Assim começa uma animada troca de correspondência, à moda antiga, entre Sofia — a menina intrépida que defende o direito de estar sossegada no seu próprio quarto — e o monstro, uma criatura empertigada que, logo na primeira resposta, se põe a fazer queixas.  Debaixo da cama, refila o monstro grande e peludo, está sujo, desarrumado, cheio de chinelos e de cotão que faz cócegas no nariz. Aquele lugar não é, de forma alguma, um hotel de cinco estrelas.
Talvez por isso que, na sua primeira carta, o monstro revele algo inesperado: já não era ele que morava debaixo da cama de Sofia. Tinha sido «desalojado» por outra criatura bem mais assustadora, tão assustadora que o obrigou a procurar nova morada num navio fantasma — situação que, por acaso, até não está a correr nada bem.
Sofia, desconfiada, fez troça do monstro medroso. Não acreditava nem por um segundo naquela história. De certeza que ele andava a ver demasiados filmes de terror.
A partir daí, a correspondência entre os dois não só esclarece mal-entendidos como transforma o medo numa conversa divertida, e uma amizade ganha terreno.
Carta após carta, Sofia descobre que até os monstros têm inseguranças, manias e histórias para contar. O que começou como algo medonho debaixo da cama torna‑se numa aventura cheia de humor e imaginação, lembrando aos leitores que o que os assusta nem sempre é tão terrível como parece.
Cartas a um Monstro foi traduzido por Carla Maia de Almeida e publicado em Portugal pela editora Jacandará.
As ilustrações expressivas de Sarah Warburton, aliadas ao texto leve e acolhedor de Patricia Forde, dão uma boa dinâmica às cartas, ajudando os pequenos leitores a aproximar-se das personagens e a reconhecer nelas os seus próprios medos.


Cada página dá cor ao desconhecido e transforma a noite num cenário menos aterrador e muito mais amigo, perfeito para quem está a aprender que até os monstros têm dias difíceis.


E, depois da leitura deste livro, até dá vontade de voltar a escrever cartas.

GOSTASTE? PARTILHA!


Avatar photo
Marta Nazaré

Marta Nazaré, nascida em Lisboa, a 5 de março de 1981, é formada em Letras e Tradução de Inglês. Dedica-se a tempo inteiro à tradução de livros infantojuvenis e à legendagem de filmes e séries.
Descobriu o terror em tenra idade na papelaria do bairro que vendia a coleção «Arrepios», de R. L. Stine. Ainda hoje, o terror infantojuvenil é o seu género preferido.

Outros artigos do autor

Privacy Preference Center