Crítica ao livro «O Vínculo ao Inferno»
Um dos livros mais conhecidos de Clive Barker, finalmente em Portugal.
A tradução de «The Hellbound Heart» pela qual os fãs de terror portugueses esperaram 40 anos está agora publicada pela Barca.
O Vínculo ao Inferno, de Clive Barker, publicado pela primeira vez em 1986 com o título The Hellbound Heart, é finalmente publicado em Portugal numa edição feita pela Barca, chancela de terror da Vírgula d’Interrogação, com tradução de Pedro Lucas Martins.
Aqui, seguimos a história de um homem, Frank, que, em busca de prazeres que não existem na Terra, decide abrir a Caixa de Lemarchand. Esta caixa, em vez de lhe dar os prazeres que procurava, traz horrores inimagináveis que prendem Frank a um mundo de sofrimento. Algum tempo depois, o irmão, Rory, e a mulher mudam-se para a casa onde Frank fora visto pela última vez. Mas algo que ali permanece começa a estimular horrores em busca de sangue e, possivelmente, de uma fuga.
É um livro curto, mas que nos consegue envolver na história muito depressa. Um dos aspetos que achei mais interessantes foi o facto de termos um narrador omnisciente e de ser um livro onde temos acesso a múltiplos pontos de vista. É o tipo de terror em que sabemos mais do que as personagens e tememos sobre o que lhes irá acontecer, mas onde, mesmo assim, acabamos com muitas perguntas por responder. Estamos perante uma história desconfortável e violenta com uma pitada de triângulo amoroso pelo meio e que nos deixa, apesar de tudo, curiosos para saber mais sobre este mundo alternativo governado por seres horrendos chamados Cenobitas. Conseguimos senti-los ao longo de toda a história, através das decisões que as personagens tomam, mesmo as que não estão ligadas diretamente à Caixa, sendo, para mim, das personagens mais inesquecíveis que a narrativa evoca.
É um ótimo livro para todos os que procuram conhecer o autor ou até para quem procura apenas uma história diferente, intensa, com muito sangue, muita manipulação e descrições gore detalhadas, que nos prende do início ao fim.
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Madalena Feliciano Santos
Madalena Feliciano Santos nasceu em 2001, em Lisboa. A partir do momento em que leu The Shining, nunca mais largou o terror, estreando-se como autora na antologia Sangue Novo, em 2021, com o conto «Sonhei com uma Linha Vermelha». Frequenta o Mestrado em Tradução da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a trabalhar, sobretudo, sobre a tradução de literatura de terror.





