Fantasporto 2023: «The Thing Behind the Door», de Fabrice Blin
Nova sessão: 2 de março, às 21 h 30, na sala 2
«Uma jovem mulher vê o marido partir para a guerra antes de terem o desejado filho. Sabendo que o marido morreu, e na posse de um livro demoníaco, tenta trazê-lo de volta dos mortos. Mas que seres são aqueles num casulo? Um belo exemplo de novo terror fantástico, sendo um dos produtores e argumentista o ilustrador e designer Jean Marc Toussaint, que esteve no Fantasporto em 1996, criando o cartaz do festival em 1997. Para os amantes do horror fantástico.»
Escrito e realizado por Fabrice Blin, este filme leva-nos à França de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial. Adèle é uma jovem consumida pela morte do marido nas trincheiras e pelo facto de nunca terem tido o filho que ambos desejavam. Assistimos à mágoa e ao desespero intensos que levam Adèle a recorrer a medidas desesperadas. Guiada por um livro antigo que desenterrou perto de sua casa, consegue ressuscitar o marido. Ou assim pensa, pois há sempre um preço a pagar pela magia negra.
Esta é uma longa-metragem com grandes períodos de silêncio, sem grandes interações entre as personagens, mas não precisava de muitos diálogos para passar (e bem) a mensagem. Embora um pouco monótona em algumas partes, esta abordagem leva-nos a alternar entre os dois estados emocionais da protagonista. O primeiro é a tristeza profunda de quem enviúva e perde a possibilidade de constituir família. O segundo, a solidão provocada pela guerra; de quem é deixado à mercê de todos os perigos, humanos e sobre-humanos, num local isolado.
O elemento de terror fantástico entra em cena com criaturas bem caracterizadas e de aspeto lovecraftiano, que pretendem fazer cumprir o seu propósito a qualquer custo. O final deixa-nos incomodados, principalmente se pensarmos num futuro em que a Mãe Natureza decida exercer a sua vingança.
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Marta Nazaré
Marta Nazaré, nascida em Lisboa, a 5 de março de 1981, é formada em Letras e Tradução de Inglês. Dedica-se a tempo inteiro à tradução de livros infantojuvenis e à legendagem de filmes e séries.
Descobriu o terror em tenra idade na papelaria do bairro que vendia a coleção «Arrepios», de R. L. Stine. Ainda hoje, o terror infantojuvenil é o seu género preferido.