Recomendações de leituras para maio
Livros de terror da terrinha e críticas sociais amplificadas.
O romance de estreia de um autor português e um livro de contos de uma autora argentina.
Para maio, trago duas recomendações.
A primeira é Coisas Ruins, de João Zamith, um livro de folk horror (ou, como gostamos de dizer, «terror da terrinha») passado no norte de Portugal, juntando fantasmas, religião, crenças populares e muito mistério.
A história centra-se numa família muito influente e reconhecida, e em como os membros da referida família começam a ver um ser todo branco e sem cara, que interpretam como uma espécie de premonição da própria morte. É um ótimo livro para quem queira explorar mais autores de terror nacional. Para já, fica a sugestão, mas podem ler mais sobre este livro na crítica que já publicámos.
A minha segunda recomendação é o livro Pássaros na Boca, de Samanta Schweblin. É um livro de contos e o segundo livro que leio da autora.
São contos estranhos, no bom sentido, uns mais de terror e outros menos, todos muito diferentes entre si — e daqueles que parecem não querer sair da nossa cabeça. Estão à procura de histórias estranhas com finais abertos? Tem. Histórias sobre famílias disfuncionais? Também (e não são poucas). Homicídios? Pois, claro (incluindo um que, aviso já, não se ponham com esperanças; se o título é «Matar Um Cão», não pensem que poderá ser outra coisa ⎯ eu tive esperança). E que tal histórias sobre homicídios como forma de arte? Sim, sim. Histórias narradas por crianças? Também. E se fossem histórias narradas por adultos-criança? Específico, não é? A resposta é sim. E depois existem aquelas em que damos por nós a rir por perceber que o absurdo que a autora transportou para a história não é nada mais do que uma crítica social amplificada. E Schweblin tem sempre muito disso. É um ótimo livro para quem procura um terror mais ligado ao estranho e ao dia a dia.
GOSTASTE? PARTILHA!
Madalena Feliciano Santos
Madalena Feliciano Santos nasceu em 2001, em Lisboa. A partir do momento em que leu The Shining, nunca mais largou o terror, estreando-se como autora na antologia Sangue Novo, em 2021, com o conto «Sonhei com uma Linha Vermelha». Frequenta o Mestrado em Tradução da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a trabalhar, sobretudo, sobre a tradução de literatura de terror.






