Recomendações de leituras para março
Livros de autores que descobri recentemente.
Uma autora suíça que escreve em italiano e uma nova edição de um romance gótico português.
Para março, trago duas recomendações de autores que nunca tinha lido.
A primeira é um livro de contos intitulado O Medo do Céu, de Fleur Jaeggy, e traduzido do italiano por Ana Cláudia Santos. O livro tem sete contos, todos eles relacionados com o tema evidente no título, levando a que estejamos perante histórias sobre questões muito íntimas para as personagens. Temos a sensação de que estamos a invadir a vida delas e a ver coisas que não deveríamos ver. Todos os contos são, por essa razão, muito envolventes e, apesar de girarem sempre à volta do mesmo, conseguem ser também únicos: «Sem destino» mostra-nos o ódio de uma mãe para com a própria filha, «Uma Mulher» e «Porzia» têm aqueles toques mais ritualísticos e um pouco de sobrenatural, «A Casa Gratuita» é um dos que mais surpreende e dos mais envolventes de todo o livro, «A Promessa» é um dos mais íntimos, com um final que questiona o medo de uma vida inteira que se reflete na morte, «Os Gémeos» traz-nos uma história muito diferente sobre gémeos órfãos que se dedicaram a enfeitar caixões e, por fim, temos «A Velha Vaidosa», que nos convida a refletir sobre até que ponto é que alguém aguenta viver 50 anos da mesma forma e sobre a expectativa que a sociedade impõe sobre ser e agir de determinada maneira. Não o descreveria logo à partida como um livro de terror, mas diria que parte de experiências pesadas e desconfortáveis e que explora sentimentos mais duros, principalmente relacionados com a solidão, o medo e a morte. Para mim, pode ser considerado um livro de terror, vocês digam-me o que acham.
A minha segunda recomendação é Henriqueta ou Uma Heroína do Século XIX, de A. J. Duarte Júnior, um livro publicado pela primeira vez em 1877, onde seguimos Henriqueta, prostituta e líder de quadrilha que se tornou mito popular. É uma história com várias linhas narrativas, diversos aspetos característicos do gótico, muito drama (lésbico, nível Pedro e Inês) e, ao mesmo tempo, passagens de um cariz mais cómico. É um clássico português que só descobri com a reedição do texto, e é ótimo para quem gosta de livros deste género e quer descobrir histórias que ficaram de parte — e que ressurgem agora. Estejam atentos porque vai sair uma crítica mais detalhada sobre o livro.
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Madalena Feliciano Santos
Madalena Feliciano Santos nasceu em 2001, em Lisboa. A partir do momento em que leu The Shining, nunca mais largou o terror, estreando-se como autora na antologia Sangue Novo, em 2021, com o conto «Sonhei com uma Linha Vermelha». Frequenta o Mestrado em Tradução da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a trabalhar, sobretudo, sobre a tradução de literatura de terror.






