Crítica a «Back Then»

Está no meu top 5 de melhores jogos.

Quem somos nós quando todas as nossas memórias falham? Seremos meras cascas daquilo que fomos?

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Martina Mendes

Criado pelos Outriders & RP Studios e desenvolvido pelo Octopus Embrace, Back Then foi lançado oficialmente em 2023. Venceu o Prémio PlayStation Talents Portugal na categoria de Melhor Jogo de 2019 e o Prémio Especial Games for Good.


Thomas Eilian, escritor, está a perder todas as suas memórias. Não por causa de um trágico acidente, mas pela doença de Alzheimer, uma doença que tem progredido demasiado depressa, onde os momentos de lucidez se tornam cada vez mais escassos.

A doença deixa-o desorientado dentro da própria mente, onde as vozes dos filhos, da mulher e da mãe se misturam à sua e à voz da própria demência. É nesta incerteza que começamos o jogo, numa floresta, onde o vento nos instiga a continuar a caminhar, sempre em frente e tão lentamente. As vozes acompanham a nossa pequena caminhada até uma porta que parece quente e familiar em comparação ao ambiente que nos rodeia. Afinal, não será assim a mente em decadência?

Ao abrir da porta, a luz cega-nos, enquanto a voz de Katie, sua filha, nos informa através de um telefone que regressou à casa para continuar com a mudança. É então que Thomas vagueia pela casa à procura da única divisão de que se lembra, o escritório, onde passava horas e horas a escrever na sua antiga máquina de escrever. A mesma que, naquele momento, se encontra desmontada.

Este é o nosso primeiro puzzle: montar a máquina de escrever, enquanto vamos descobrindo pequenos pedaços da memória perdida.

Back Then é uma história simples, mas complexa ao mesmo tempo. Sim, Tom tem Alzheimer e lembra-se de pouco, mas é tão raro ouvir a sua voz que é por esse detalhe que sabemos que não se encontra totalmente lúcido. Os poucos detalhes que recebemos do presente são dados através dos telefonemas — aparentemente, banais.

Katie é a filha mais calma, aquela que tenta ir dando as informações ao pai sem o sobrecarregar.

Já o filho, Benji, choca com o pai. Não só com a doença dele, mas com o pai que ele foi antes do diagnóstico.


Nestes telefonemas sentimos a dor, a frustração e como isso parece não afetar Thomas, enquanto nós, como jogadores, sabemos que o filho está a sofrer, e não conseguimos ajudar ou mudar nada.


É por essa razão que acredito que este jogo não seja para toda a gente. Parece que nos encontramos num loop lento, que nos inquieta e que, possivelmente, irá frustrar alguns.

Não é o típico jogo FPS (first person shooter) cheio de ação, em que podemos saltar missões que não interessam. É um jogo que nos obriga a seguir o guião, sem grandes escapes. A jogabilidade é lenta, muito lenta, pois encontramo-nos presos num corpo em cadeira de rodas, o que não só complementa a ideia da decadência como nos abranda quando queremos correr, aumentando a ansiedade e o medo de que a mente de Thomas se vire contra ele próprio. Que mente em declínio, afinal, é que não se virará contra si própria? Todos nós sabemos que, mais tarde ou mais cedo, isso irá acontecer. É apenas uma questão de quando.


Back Then está no meu top 5 de melhores jogos. E aqui avalio apenas a forma como me afetam e como a história foi contada.


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Martina Mendes

Habituada ao terror desde nova, Martina via filmes assustadores para adormecer. Até hoje, não consegue terminá-los. É por isso que escreve sobre terror e que, mais recentemente, joga dentro do género. Com os jogos, definitivamente, não adormece!

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